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Obsessão pelo lucro é tão grande que transformou as pessoas em robôs, diz o banqueiro dos pobres em entrevista ao Estadão.

Editora Voo - Obsessão pelo lucro é tão grande que transformou as pessoas em robôs, diz o banqueiro dos pobres em entrevista ao Estadão.

O mais novo autor da Voo, Muhammad Yunus, foi destaque no jornal Estadão. O “banqueiro dos pobres” criticou a prática de juros altos e pontuou que os esforços ESG tendem a descambar para tentativas de greenwashing quando a direção da empresa segue obstinada em maximizar lucro.

Confira abaixo um pequeno trecho da entrevista ou clique aqui para ler a entrevista na íntegra no portal Estadão.com.

“No livro, o senhor fala em infraestrutura legal e financeira para negócios sociais. Quais são as mudanças regulatórias necessárias?
Antes de mudanças no quadro regulatório, é preciso introduzir o conceito propriamente. A regulação precisa estar preocupada com um problema: o empreendedor social ter sucesso e, sem contar a ninguém, se transformar em um negócio que visa ao lucro. É preciso ter em mente que, uma vez que você concede facilidades para um negócio social, como não pagar impostos, as pessoas começarão a abusar, a tirar proveito desses benefícios fiscais mesmo sendo um negócio tradicional. É isso que acontece (quando há assimetrias regulatórias). As pessoas são muito inteligentes e encontram maneiras de enganar os reguladores. Defendo, portanto, que (o empreendedor social) deve seguir exatamente a mesma regulação. O real problema ainda não é regulatório, é como popularizar o conceito e também introduzi-lo no mundo acadêmico, nas escolas. Em um negócio social, a empresa gera lucro que deve ser reinvestido na empresa. O proprietário ou o investidor recupera o dinheiro que investiu, mas nada mais do que isso

O senhor acabou de voltar da New York Climate Week. Viu alguma evolução nesse sentido nas universidades por lá?

As universidades ao redor do mundo têm demonstrado interesse pelo assunto e estão introduzindo o negócio social como um curso. Muitas já ensinam micro finanças sob o conceito de negócio social porque temos dito que as micro finanças são um negócio social. Algumas universidades já foram além. Criaram o que chamamos de Centro de Negócios Sociais. Há 106 universidades ao redor do mundo que possuem unidades desse tipo, oferecendo cursos de graduação sobre negócio social. Outras têm programas de doutorado ou mestrado.”

👉 Para comprar um exemplar do livro , clique aqui.

(Foto: Raúl Caro/Efe / Reprodução El País)

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